INCERTEZAS

INCERTEZAS

Sergio Pantoja Mendes

Sou fogo que se extigue na fogueira,

ou sou água, caindo em cachoeira?...

Sou a brasa final do último cigarro,

ou o frio do metal, gelo do carro?...

Sou quem sabe, a música que encanta e canta,

talvez a marcha fúnebre que toca e alguém pranta...

Sou o barulho de uma vida infernizada,

ou o silêncio agudo de uma madrugada?...

Quem pode dizer o que sou?... Se sou...

Sou a alegria do despertar do sol,

ou a tristeza do ocaso, ao me deitar sob o lençol?...

Sou as vezes o carro que corre pela rua,

as vezes a vítima, sobre a pedra nua...

Muitas vezes a nuvem clara do fim da tarde

e tantas vezes, a nuvem negra, anunciando a tempestade...

Diga alguém, o que sou!... Sou?...

Sou a rosa de Hiroshima, que Vinicius cantou,

ou sou a criança, que essa rosa matou?...

O travesti, com meu gesto afetado,

ou o amor da prostiputa, rápido e cobrado?...

Na incerteza de não saber quem ou o que sou,

quisera ser história da carochinha- rei, rainha e fada-

mas sou apenas pedra!... apenas pó!... somente nada!...

Sergio Pantoja
Enviado por Sergio Pantoja em 03/08/2011
Código do texto: T3137443
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