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NAVEGADOR

Aqui vou, navegador solitário,
tão só como quando aqui cheguei
e ancorei meu barco.
Levo nos lábios os beijos dela,
e na memória, a visão de outra paisagem.

Sigo viagem nas asas firmes do meridião,
ventos constantes ou indecisos,
brisa breve, viração leve.
que navegar alguém disse que se precisa,
e eu preciso.

Para não chorar pensando naquela
que é o meu amor em terra,
os meus olhos cerro
para guardar em mim
a imagem dela.

E eu sigo,
Já na partida, arregaço as mangas
e iço a primeira vela.
Genoa, vela latina enfunadas,
vou agora por onde a brisa sul me leva,
para onde a luz do horizonte chama,
ou para onde a chama do coração enverga.

Como menino que enxerga nos seus sonhares
a dimensão dos mares
e o frescor das aragens de outras paragens,
sou só um navegador da vida que não tem mapa
e dou um tapa se quiserem fazer das trilhas,
trilho e destino.

As longitudes e latitudes podem continuar,
na delimitação dos espaços imaginários,
imaginárias linhas.
Os azimutes,
ângulos meros de sentimentos meus,
muitos, ainda não explorados,
os que já quiseram dúbios e não sinceros,
sentimentos baços.

Deixo os espaços,
Só não me tirem as asas,
que as asas,
elas são minhas.
Marco Bastos
Enviado por Marco Bastos em 10/07/2005
Reeditado em 14/10/2013
Código do texto: T32852
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Marco Bastos
Salvador - Bahia - Brasil, 72 anos
1717 textos (87478 leituras)
2 áudios (495 audições)
1 e-livros (791 leituras)
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Marco Bastos