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PALAVRAS SÃO MAGIAS**

Fico bolinando palavras como se fossem peças
com as quais se conserta o mundo.
Fico demolindo cidades e grades, desencadeando revoltas,
revisitando heróis idos e revoluções remotas.

Jogo minha rede no mar dos ensejos,
na ânsia de pescar liberdade,
mas prendo na minha teia de versos somente anseios,
peitos pulsantes, silentes andarilhos,
crianças magras dos faróis.

Com eles crio enredos, monto exércitos,
tomo de assalto os palácios, o governo.
Com eles comando a massa na praça
microfone na mão, alarde, revolução...

Noutro dia me perco, me enrosco em versos tristes.
Apático, anônimo, lúcido, me aquieto.
Estrategicamente recuo. Dou-me conta do frágil,
do inconsistente. Temo o poder, o veto, o crítico literário.

A tudo engaveto: meus sonhos, meus dons, meus versos.
Palavras...
Guardo tudo num universo paralelo
e sigo, à margem, pagando o preço dos anônimos,
vendo glórias alheias no outdoor da praça.



cp-araujo@uol.com.br
Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 12/07/2005
Reeditado em 21/10/2006
Código do texto: T33470

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Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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