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MUDO

MUDO


Deixem-me pintar as manhãs de espanto
Enquanto
Se não perde o encanto
Do verde, do anil,
Do vermelho, do salmão...
Do azul, do turquesa
De todos os perfumes
Com que pinto a natureza

Deixem-me ser apenas coração
Mentiroso, trapalhão,
Quantas vezes vigarista,
Mas sempre pai do irmão,
Amigo do inimigo,
Um braço não é só mão...
É o pedaço de espaço
Entre a culpa e o perdão

Deixem-me aqui no canto
Que já não canto
Há tanto tempo
Deixem-me pintar o momento
Da cor que me apetecer
Às vezes sou cinzento
Corrosivo, ciumento,
Outras fico tão doído...

Nunca se revela tudo
E às vezes é tão duro respirar
Que até o gosto
Do teu rosto
Me faz arrepiar

Deixem-me ser mudo
Não me apetece falar
Já estou doido
E disse tudo...
ressoa
Enviado por ressoa em 13/07/2005
Código do texto: T33692
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Sobre o autor
ressoa
Portugal, 67 anos
72 textos (1880 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 20:08)
ressoa