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BOI CEGO.

Oioioi oioioi
Sinhô, qui saco esse boi!
Mandei o boi lá no arroio,
e pro arroio, qui boi que foi?

Tangi ele no ferro,
Cantei cantiga de aboio.
Gritei com ele e dei berro,
e o boi, que estrada que nada,
o boi não foi com a boiada.

Pensei, parece mandinga
que boi assim nunca vi.
Se é lá que fica a cacimba,
pros lados da Juriti.
o boi foi, foi, foi, foiiiii....
e encheu de chifre a caatinga.
Ohhh! Boi ,... não é por aí!!!......

No lombo do Treme-Terra
entrei no mato de espinho,
palma, velame, era só calumbi.
Parecia mais uma guerra
entrar ali, que nem jaboti,
bicho encourado, se atrevia.

Gibão de couro, chicote e laço,
saí prá campeá tal boi de fricote.
Nas orelhas, mato era um açoite,
Vento então, cantava lá e zunia.
Sabe o doutô,
prá mim, montar é ventania.

E fui entrando, e fui que entro,
quanto mais entro mais dentro.
Até que na clareira da baraúna
o boi teimoso lá estava,
na roda do boi-bumbá.

Investia como um possesso
na gente ruim da Pau Prego,
que se esquivava e lá ia o boi
quebrar na testa uma aroeira.
E de ruim, de muito ruim,
o povo caçoava fazendo festa:
vem cá! vem cá! boi cego!!!...


Marco Bastos
Enviado por Marco Bastos em 14/07/2005
Reeditado em 07/02/2007
Código do texto: T34215
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Marco Bastos
Salvador - Bahia - Brasil, 72 anos
1717 textos (87477 leituras)
2 áudios (495 audições)
1 e-livros (791 leituras)
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