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SOU ÍNDIO**

Sou índio porque vivi liberdade,
abracei mata, bichos, águas claras
e fui onça solta, sagaz.

Sou Portugal porque me trouxeram saudade,
me deixaram náufragos, degredados, aventureiros,
me aportaram naus e navegantes.

Sou negro porque bebi áfricas,
dancei mágoas, gritos, açoites, senzalas...
porque fiz do arreio revoltas.

Sou brasileiro porque me enfiaram povos,
misturaram gente, mataram os natos
escravizaram negros, humilharam pobres.

Sou triste
porque me impuseram armas
me sacaram terras, me levaram ouro.

Sou alegre
porque engoli batuques
e vomitei e frevos, maracatus, sambas e axés.

Sou urbano porque
me empurram estrada, me expulsaram o sertão,
plantaram cercas, secaram águas.

Se ainda não sou povo
porque faltou escola
terra, igualdade, prosperidade, união.


cp-araujo@uol.com.br
Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 15/07/2005
Reeditado em 21/10/2006
Código do texto: T34603

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Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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