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ARABESCO

Já era dia.
A água dos rios, na paz da aurora reluzente,
Floriu carmim no madrigal dos lábios desse dia.

Eram tempos leves, de cores breves, primavera.
Cálidos ventos sopravam as velas de outra era.
Ventos da vida trazendo o cantar de mil amores,
Aragem, eólica alegria, zéfiros ventos cantata.

Ventos da vida
Ventos da mata,
Sonhos, sonetos, sonata.

As estrelas agora no firmamento
em luz exata.
A Lua azul, nua no céu,
rainha mulher de prata,
a urdir suspiros de neve
pelas folhas do arvoredo,
levando aos céus,
mãos e beijos breves e quedos.

Oh! Deus, quanta loucura.
O dia que promete um paraíso
Finda e morre em noite escura.

O homem concebido na fria noite,
por ganância,
e na ânsia de doentes vitupérios,
nas sujas patas
de impérios decadentes,
o homem mata.
Marco Bastos
Enviado por Marco Bastos em 19/07/2005
Código do texto: T35878
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Marco Bastos
Salvador - Bahia - Brasil, 72 anos
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1 e-livros (791 leituras)
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