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CANTO ÉPICO

“Auriverde pendão de minha terra,/Que a brisa do Brasil beija e balança,/Estandarte que a luz do sol encerra,/E as promessas divinas da esperança.../Tu que da liberdade após a guerra/Foste hasteado dos heróis na lança,/Antes te houvessem roto na batalha,/Que servires a um povo de mortalha! CASTRO ALVES (1847-1871) - “Tragédia no Mar”.
 
 
 

Vieram pra nossa terra
Os homens de além-mar
Mas não chegou nesta serra
O seu cântico de amar...

Vieram como tropeiros
Com seus burros carregar
Nossa riqueza, dinheiro,
Direção do além-mar...

Era o Brasil-esperança
das heróicas bandeiras
Matando velhos, crianças
Nos prados e nas ribeiras...

Mongoiós e Imborés
Tiveram de sucumbir
Morrendo assim ao seus pés
Sem mesmo poder fugir...

No sul, foram os pataxós,
No leste os tupynambás
Aqui jazem os mongoiós
Imborés, jequitibás...

E nesta devastação
Que impuseram aos brasileiros
Ficou a dura lição
Destes lusos estrangeiros...

Os índios como nação
Nunca foram respeitados
Sofreram depredação
Até serem exterminados...

Depois a vez das florestas
Dos bichos e dos tesouros
Das nossas caças, ai destas
...As exportações dos couros...

Nossa industrialização
Serviu pra nos entregar
Ao delírio do patrão
Sem direito a reclamar...

Fizeram a revolução
Pra todos nós redimir
Eis aí a podridão
Onde fomos imergir!...

Devastaram a Amazônia
Jacarandá da Bahia
Trouxeram pólos de amônia
Afrontaram a ecologia...

Por isso as grandes cidades
Já não podem respirar
Sucedem as calamidades
Violência a campear...

Não existe mais vergonha
O crime, a corrupção
Tomam a forma mais tristonha
Dessa gente sem razão...
Ricardo De Benedictis
Enviado por Ricardo De Benedictis em 24/07/2005
Reeditado em 11/09/2005
Código do texto: T37335

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Sobre o autor
Ricardo De Benedictis
Vitória da Conquista - Bahia - Brasil, 77 anos
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Ricardo De Benedictis