Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Comentários Avulsos




De todos os comprimidos que me entopem,
nenhum é capaz de me dar a amnésia programada.

Eu tenho as imagens que não desejava ver,
tenho os boatos, as palavras de uma confissão espontânea
e torturante, tudo aquilo que minha sádica imaginação concentra.
Tenho também as perturbações cotidianas
e tudo que descubro ao caminhar.

Não pretendo continuar sendo alvo
das minhas lembranças ruins.
Não pertenço ao mundo dos insensíveis,
por isso transpareço diante
do plenário poético.

A confusão, que não é minha, tem duas vertentes
que eu preferia desconhecer e ignorar ambas;
mas chegou uma hora que eu tinha que saber e enfrentar,
como Poeta.

O primeiro fato acertou a jugular
e escancarou aquilo que eu nem mesmo mencionei
aos meus pensamentos, para evitar
a formação de uma tristeza precipitada;
o segundo fato era algo que eu imaginava,
mas esperava não comprovar.

Minha imunidade foi empurrada de um penhasco
pela dissonância que esta conversa impôs; conflito cardíaco,
oscilação sentimental, é tudo sístole e diástole.

Não fiz perguntas, talvez as faça...
Talvez eu não tenha mas que ser o retórico.
Talvez eu possa fluir...

Demorei noventa dias
escondendo o medo que julgava não possuir,
Até confessá-lo através do pranto.
 
Mais uma vez experimentei a sensação de abrir-me
e externar o Eu mais contundente.
Voltei noventa toneladas mais leve, só que ainda um pouco triste.
Agora eu quero conhecer mais as coisas,
quero buscar todos os sonhos que me pertencerem, quero vida.
Agora tudo o que eu quero está no futuro.

Depois de ter feito um plebiscito entre minhas células,
ficou decidido que se deveria vencer, viver e amar.

A cada minuto, dois bilhões de feixes neurais
cruzam os dentritos,
em busca de perguntas e respostas; é preciso assimilar
todos os conselhos das árvores. E não enlouquecer com isso.
Vamos até o final começar tudo novo de novo.
Recitem pra mim seus poemas prediletos.

Vou aplaudir os abraços carinhosos no meio da rua,
passear de mãos dadas nas manhãs de domingo,
beijar na boca, tomar banho de chuva, ir ao cinema,
sorrir pra um pedestre, olhar nos olhos, comer sushi,
fazer sexo no metrô, dormir na praia, escrever versos...
Acordar e dizer:    Bom dia meu amor!

Risos encharcados na beira da praia, as palavras voam tontas.
Estamos juntos, entrelaçados.
Apesar dos desencontros, estamos estreitamente colados.

Declaro aos cinqüenta e dois cantos do mundo que...
serei indestrutível, incansável, inesgotável,
mesmo que por ventura taciturno.
Serei os meus sentimentos em infinita demasia e propulsão.

Quando eu estiver solto, vou tentar voar...
com as asas que ganharei.



Felipe Melo
Enviado por Felipe Melo em 10/02/2005
Código do texto: T3875
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Felipe Melo
Recife - Pernambuco - Brasil, 35 anos
38 textos (3517 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 01/10/16 19:19)