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ALPISTE

misturo o alpiste
com bicadas nas costas da mão;
acordamos com o privilégio do canto dos pássaros,
— nossos filhos de asas —
enquanto a mulher, sozinha, espreguiça-se
sem nenhuma vontade de voar.

No pão quadrado,
a manteiga tem que ser bem pouquinha;
sobre a bandeja portátil
repito o hábito alimentar dos pássaros
e saio para ler, com carinho, as últimas da banca,
mesmo se toda curiosidade a quisesse vê-la nua e molhada,
ou bem vestidinha na toalha após o banho...

a ducha fria está exausta
de ativar os corpos à circulação;
enquanto, nua pela casa,
sem paciência, encheu o pão de manteiga pouca
com queijinhos, presuntos, tomatinhos e alfaces
para repor a energia gasta pela noite ganha,
enquanto nos empanturrávamos de amor...

De jornal emprestado,
após o  trabalho e com saudade de casa,
volto sempre com cara de boas notícias,
mesmo sabendo que o quilo de alpiste aumentou.

E falo, e falo, e falo tanto,
que mesmo na muda troca das penas,
encantamos a última hora do dia com beijos de boa-noite
apesar das bicadas em busca do alpiste, agora mais caro!

Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 30/07/2005
Código do texto: T38797
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho