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HERÓIS - Um poema épico

Zumbi e Gangazumba
Comandaram Palmares
A maior trincheira de resistência
Que o mundo conheceu
E resistiu por cem anos.

Em Salvador
Luiza Mahin e Pacífico Licutan
Lideraram a Revolução dos Malês
Gritando por liberdade
Em nome de Alá.

João Cândido
Marinheiro destemido
Liderou a grande revolta
Contra as chibatadas
Do opressor branco oficial
Apontando seus canhões
Em direção à Praça XV
Pondo em cheque a república
E o marechal.

Luiz Carlos Prestes
P cavaleiro da esperança
Com seus tenentes percorreu os sertões
E os rincões, desbravando
E descobrindo o verdadeiro Brasil
Plantando a semente da rebeldia
E da insurreição.

Sessenta e quatro, ditadura militar
Sessenta e oito, AI5
Passeata dos cem mil
Repressão, opressão, tortura
Exílio, clandestinidade
Jovens pegando em armas
Contra as trevas
Em defesa da verdade

Lamarca, Marighela
Grandes líderes guerrilheiros
Caparaó, Araguaia, luta rural
VPR, VAR-PALMARES, COLINA
Pc do B, Aliança Libertadora Nacional
Resistência desigual.

Na Amazônia, no Nordeste, a luta pela terra
Ligas camponesas, Francisco Julião
Combatem o latifúndio improdutivo, reacionário,
Assassino e multinacional
Onde Chico Mendes, Josimo e Tião Lan
Deram a vida em bom combate.

MST, Pastoral da Terra, Via Campesina
Hoje carregam o estandarte
da Reforma Agrária
Com consciência e resgate.

Sérgio Macaco
Hoje brigadeiro, comandando o PARASAR
Recusou-se a explodir o gasoduto
A mando do brigadeiro nazista
Salvando milhares de vidas
Foi perseguido e humilhado.

Década de oitenta
Diretas Já!
Milhões de pessoas nas ruas
(Eu, como poeta, estava lá)
Repartindo a esperança
De mãos dadas e lágrimas nos olhos.

Apesar desses heróis
E suas lutas inglórias
Que a história absolverá
Há os que, por desinformação
Ou mesmo por convicção
Afirmam que essa nação
Chamada Brasil,
Que esse povo mestiço e aguerrido
Que fez da mistura de culturas
E crenças de vários povos
O tempero da sua cultura
E da sua crença.
Que esse povo valente
Não tem tradição de luta.

Para esses incautos ou incrédulos
Eu respondo:
Para tanto sacrifício, justiça
Para tanta mistura, democracia
Para tanta juventude, oportunidades
Para tanta cultura, respeito
Para tanta história, consciência
Para tanta criatividade, investimento
Para tanta renda concentrada, distribuição.

Para tanto patriotismo e coragem
A certeza de que o futuro
Está sendo construído nesse momento
Por pessoas que acreditam nesse país
E sabem que o conforto de poucos
Com o sacrifício da maioria
Não é progresso. É retrocesso.

Herói é todo o brasileiro
Que diz não à tirania e à opressão
E sacrifica muito do seu bem-estar
Pelo bem-estar da maioria
Sem medo de perder seu maior tesouro:
A própria vida.

30/06/2007
Sergio Alves poeta
Enviado por Sergio Alves poeta em 25/01/2013
Código do texto: T4104453
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Sergio Alves poeta
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 54 anos
35 textos (361 leituras)
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Sergio Alves poeta



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