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DESCANSE EM PAZ 
(escrita em 29/01/2004)

Ontem, mais uma vez, cortei meus pulsos.
Mas desta vez, segurei bem forte os punhos cerrados
para que o sangue fluísse com todo o impulso,
e eu pudesse ver todo o líquido jorrado,
na certeza de um trabalho bem feito.
Ontem fui ao meu funeral.
Uma, duas, diversas vezes .
Queria que saísse perfeito.
Não nego: ver-me morta fez-me algum mal.
Não levei flores, nem acendi velas.
Pareceu-me desnecessário, um tanto banal.
Olhei atentamente meu rosto:
sem cor, sem graça, sem sal.
Olhos inchados, as mãos amarelas.
Estranho dizer,
mas combinavam com a morta.
Hoje irei enterrá-la,
cansou-lhe a vida torta.
Houve dúvida:de preto ou sem nada?
Mas não vou simplesmente
esquecê-la nos armários atrás da porta
ou jogá-la nos vãos da escada.
Vou enterrá-la com todo o ritual necessário.
Já foi suficiente pra ela viver tanto tempo
em estado precário.
Descanse em paz.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 12/08/2005
Código do texto: T42091

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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