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(FOTO : Memórias da Atlântida, de Victor Melo)

SEM CELULITE NA ALMA

Esta que agora fitas
e que te devolve o olhar
sem meias voltas, sem fitas,
levou tempo pra brotar.
Esta que agora miras
entre espanto e alegria,
queimou-se em muitas piras
pra lembrar do que sabia.
Esta que agora vês
satisfeita em ser quem é
nem sempre soube a medida
do quanto era mulher.
Esta um dia
maldisse a própria beleza,
pensar-se, deu por tormento;
queixou-se da inteireza,
escolheu o fingimento.
Viveu de temores um dia:
de noite temia ser bela,
de dia temia ser feia,
de noite temia ser quente,
de dia temia ser fria.
Aquela de dias passados
governou tempo demais,
ditou regras a esta outra,
sufocou, matou a paz.
Temeu as rugas no espelho,
estrias, gorduras, culotes,
celulites e outras coisas.
Temia ela os decotes.
O espelho em que se via
não é o mais onde me vejo.
Desta que antes havia
nada sei, nada vejo.
A que hoje me aparece
é uma visão mais calma.
Deve guardar lá seus medos,
mas sem celulite na alma.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 22/08/2005
Código do texto: T44347

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai