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PORTA DA RUA, SERVENTIA DA CASA

(2001)

Se quiseres ir, vá.
Não anuncies, nem faça barulho.
Não precisas publicar.
Não precisas mala ou embrulho.
Se quiseres ir, é já,
Não esperes a hora certa
porque esta, está claro,
não há.
Se quiseres ir,
sai sem bater a porta
que o barulho incomoda
e não é que minha alma se importa
com a educação ou a moda:
mas já está demais cansada
e tanto estrondo incomoda.
Se quiseres ir, é hoje,
nada de esperar que venha o dia,
nada de deixar a noite ir,
e esticar tanta agonia.
Já deu tua hora.
A porta da rua
é serventia da casa
e vai ficar aberta
pra quando me voltem as asas.
Se quiseres ir
não direi uma letra sequer:
brincadeira tem hora,
e paciência, limite,
e o rio já não te dá pé.
Nada deixes para trás,
não quero teus palpites.
Vá e leve embora,
dentro da tua bagagem
este pedaço de gente,
este resto de imagem,
que quero enterrar,
de ida, eu dou-te a passagem
pra tua falta de limites.


Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 24/08/2005
Reeditado em 24/08/2005
Código do texto: T44895

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai