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Boca madura

Boca madura...
Lizete Abrahão


Contra a física injustiça, uma rebeldia turva...
Não querer ver os cansaços em cada curva
dos contornos plácidos do seu templo...
só esquecer a pele fraudada pelo tempo...
Mas dunas desareiadas, com ares imaturos
querem significados, os mais impuros,
e a calma das ancas, recurvo declive?
Ventre arredondado, fresco, ainda vive,
feito fruta madura, de colheita suculenta,
de doce  amadurecer, em ânsia lenta,
pleno, ainda, de emoções e de promessas
que dão maior graça às coxas inconfessas...
Na cintura, esculpida é a forma soberana,
de um delicado ícone de porcelana...
Hoje, na carne, as faíscas da mulher de antes,
que renuncia ao logro dos meros instantes,
dos espasmos de dois segundos, vazios,
onde dois permaneciam, depois, tão frios...
Mestra, agora, em guardar distâncias, segura,
é força no jogo da entrega com ternura...
Foi-se a aparente juventude, vêm os emboras
a lembrar que lamentos gastam as horas.
As mãos do tempo trazem maior o desejo,
em boca madura colhe mais doce o beijo...

Lizete Abrahão
Enviado por Lizete Abrahão em 07/09/2005
Reeditado em 19/06/2006
Código do texto: T48565

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Sobre a autora
Lizete Abrahão
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Lizete Abrahão