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PALAVRA & CANTO

Todas canções têm algo de sonho,
revivem o mistério do canto.
Tudo o que conta não tem sentido
quando falecem os signos.

Palavra é mais que mistério:
som dos neurônios batucando na mesa.
O imprevisto e o impossível
desenham a clave de sol.

Tudo o que me consome
é esse mistério intraduzível de ser,
a duras penas, a voz do espontâneo,
o despido improviso.

Todo cantor que se preza
traz nos lábios um pentagrama.
Na sua garganta nasce o pentagrama,
o reino das claves, morada da palavra
em seu vestido de festa.

Nada me sabe a música,
sua harmonia, o tempo certo,
o ritmo na pauta.

Porque o desenho de meu rastro
– a garatuja da palavra –
é um cinzel roto de destinos.

Enfim, todo o cantor é mudo,
quando o intérprete é somente voz.

Do livro OVO DE COLOMBO. Porto Alegre: Alcance,2005, p.59.
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 09/09/2005
Reeditado em 25/09/2005
Código do texto: T49153
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
2581 textos (709798 leituras)
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Joaquim Moncks