CONCEPÇÃO

Amante de eras passadas,

retorno,

com voracidade em meus olhos,

ninguém tinha me visto,

só depois que eu chorei.

Mas não vou ficar aqui chorando,

clara minha voz,

e quando chegou o momento de falar pensei em fugir de mim.

Fim de um sonho,

pesadelo de motivos fúteis,

detonando a vida.

Fim de mim.

Igualdades tolas embalando tolos espectadores,

ritmos indescritíveis.

De sol,

de terras,

de poderes.

De lua e só.

Pendulo de minha existência que me apalpa,

me abraça,

me preenche,

me extasia e vai embora.

Momentos medíocres de devaneios,

obsoleto e vão.

É que não me preencheu o todo,

mas toda uma parte.

Só por fora,

superfície côncava,

pontas sensitivas,

medonha calma,

úmida calma,

um furacão em mim.

De costas para o infinito,

recobro meus sentidos e percebo que estou só,

de novo.

Mas agora a solidão tem rosto,

o teu.

Agora a solidão tem som,

tua voz.

Ou teu choro.

Fica como quiseres,

totalmente à tua mercê.

Não vi,

nem ouvi,

mas tenho a certeza que aconteceu.

Aconchego que te dou,

vida que me dás.

Lembro de quando não havia esse movimento em mim,

eras perdidas que serão logo esquecidas.

Não se passou um segundo sem que eu não te amasse,

desde que surgiste.

Passei então a brincar nas vagas da noite,

agora sem medo.

Antes ele me fazia de escrava,

a seu bel prazer.

Um dia,

vi teus olhinhos!

Aí, sim,

a plenitude.

Não vaguei mais,

firmei meus passos,

cantei pra ti sorrir.

A cada pensamento a ideia de ser para ti o quê não fui pra ninguém. E me sorrias,

concordaste!

Ah, o teu sorriso!

Vi nele o paraíso,

surreal demais pra mim.

Desde então ando em estrelas,

piso nuvens que nunca se desfazem.

Amo,amo,amo.