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Nas ruas nada a declarar

I

domingo
bricolage no andar de cima
eu deitado de bruços
lá fora
nada a registar
ao menos tu
fernando
conseguiste ver quem passa
olhando a tabacaria
mas eu
deixa lá
como um cohocolate
talvez assim o sono venha
domingo
bricolage no andar de cima
benditos os dias
em que se passeava de eléctrico
apenas por andar de eléctrico
hoje só se for pelos pasteis de belém
ou pela pela bola
hoje
andar na rua
cansa
porque não há rua
nem gente nela
na verdade
nem sei o que por lá anda
talvez o nada comigo lá dentro

II

hoje
temos em casa uma coisa
e toda a gente
olha para ela
e acredita em tudo
o que ela diz
ai as tardes de domingo
com os cinemas cheios
e gente pelas ruas

III

poderias ter tudo
preferiste errar pelas ruas
ainda ruas
estar na brasileira do chiado
sentando um pouco
o rabo
à conversa
ou simplesmente
vendo
como o bernardo
te ensinou
nos dias de melancolia
eu tive o que quis
ou o que penso
ter querido
sei lá
olha
roupa lavada
e comida na mesa
não me falta
talvez me vicie
talvez me reste
a esperança
de sentar o rabo
de onde tu levantaste o teu
sei lá

IV

para onde vou desconhecido de mim
sem tardes de domingo
com gente nas ruas

José Manuel Marinho
Enviado por José Manuel Marinho em 18/09/2005
Código do texto: T51670

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Sobre o autor
José Manuel Marinho
Portugal
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