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CONCHA, tão de si ausente ...

Não era para entender
quanta nudez morava
naquele despojamento
...
               [ Concha ]


Descobri-a e destapei-a
com as minhas mãos.
Alisei, com desvelo,
uma planura em seu redor;
... Descobri-a
e não entendi o que era
fazendo jus ao absurdo
das bolas de cristal.
... Destapei-a
sentindo ali o areal
em redor do corpo
de uma metade bivalve,
na ponta dos meus dedos;

Não podia discorrer
se aquilo era vazio,
se ausência, se estava
exposto à minha cegueira
o ser por fora de uma casca,
ou a só metade de si,
lúcida e luzente ao sol,
meia vestida de domingo,
e toda ao longo do tempo
que passa dentro e à beira... mar.

Descobri-a sem entender
o ser-se concha
tão de si ausente;
... ou só de mim,
mais exposto que ela,
mais que o mar
no poema presente
da miragem de areia
e vertigem de ser... a estar.



__________________________LuMe
Luis Melo (www.lumelo.com)
Luis Melo
Enviado por Luis Melo em 30/09/2005
Código do texto: T55010
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Sobre o autor
Luis Melo
Portugal, 59 anos
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Luis Melo