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Fábula das luzes


A lâmpada fluorescente diz à vela:
— Teu tempo é um pretérito imperfeito!
Eu tenho cem vezes o teu brilho
e posso viver por dez mil horas
enquanto te consomes num só dia...
És passado, ó vela! E inutilmente
enfeitas esta mesa e o candelabro!
Daqui, alta que estou, tenho o poder
de revelar a luz aos comensais...

A vela humildemente não responde
e permanece em paz consigo mesma...
Os seres sorridentes se aproximam
e põem-se felizes de mãos dadas.
Um fósforo é aceso e posto à vela
que exulta e ganha a luz bruxuleante
e logo a grande lâmpada é apagada...
A vela permanece testemunha
das juras de amor entre os humanos.

A noite avança e os seres deixam a sala.
A vela quase ao fim, porém acesa,
ao fósforo queimado no cinzeiro
resolve dirigir enfim a fala:
— Teu tempo é um pretérito imperfeito...
Poeteiro
Enviado por Poeteiro em 02/10/2005
Código do texto: T55649
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Sobre o autor
Poeteiro
Santos Dumont - Minas Gerais - Brasil
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Poeteiro