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Falei como quem percorre

                  [ Falei... ]


Como posso decifrar
essa criatura
de, ora ser a incerteza
a noite sombria
ora a luz clara das manhãs.
Essa dupla face de afectos
dissonância múltipla
do que há que intuir
mesmo se ela é só o riacho
e eu o seu quase silêncio
se ela é o segredo
deslindado em entrelinhas
vacilantes e imprecisas,
se é o entre-versos
do mais profundo alindar.

Como percorrer
o busto do poema
pelas pontas dos dedos;
como discorrer
o caminho sinuoso
de um destino
como entender
o retorno dos ecos
extraviados em histórias
de futuros e passados
sem respostas a extorquir.
E este sonar constipado,
e o farol de nevoeiro
a verter ainda mais brumas.

Os sensores da paixão
confundem-se nas arrecuas
de caranguejos embriagados
a toda a hora e em todo o lado.

— “Qual quê?! — diz ela —
Cada um envolve-se
com o que pode abraçar;
tudo o mais é tempestade!”

Claro!, nem prescritos
nem proscritos
mas esta lucidez de agora
tem a textura feminina
de um álibi para ave migratória.

Falei de uma sombra bizarra
num recordar de abraços.
Falei... num reviver de afagos
intranquilos
no recear das emboscadas
que se ocultam no silêncio
de todas as palavras.
Desbocado,
sem eira nem verdade.
Falei!...
Ninguém me ouviu.
A ausência é surda muda.


_____________________LuMe
Luis Melo (www.lumelo.com)
Luis Melo
Enviado por Luis Melo em 07/10/2005
Código do texto: T57472
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Sobre o autor
Luis Melo
Portugal, 59 anos
64 textos (2257 leituras)
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Luis Melo