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FICAR...

Não por falta de um rumo
mas de uma fome de entender
o estar-se onde se está
e o possível de um destino
que seja aqui e agora.
E então...


                   [ Ficar ]


Não olhes agora!
Se olhares, disfarça!
Vai aqui a passar o tempo!
Ele mesmo, o tempo!
Faz de conta
que não reparas nele;
sobretudo,
que não te afecta
como se te fosse indiferente
o seu passar, insinuante,
por ti.
Como eles dizem, assume
o “politicamente correcto”
a atitude adulta, pragmática
e prenhe de orgulho
pelo declínio de viver
até ao poente.

Eu sei que te exaures
paulatinamente, como eu,
e tudo o que é vivo,
ó ser pulsante.
Tudo isso é análogo e decorre
do continuo e digno revolver
e desterroar do solo.

Também sei que é suposto
ser gracioso e sereno
esse fluir da vida em terra fresca
e o dimanar de linhas d’água
para proveito de todos
e dos lírios,
em campos orvalhados
e sempre afagados pela luz do dia.
É igualmente magnífica
a alquimia de renascer,
e a sublimação operante
de mansos declínios.
No rosto, sulcos arados
na intensidade da existência,
pelo pressuposto quente
de um horizonte a vislumbrar-se
com um sorriso conjurado
mas casual e a significar:
“Tem-se vivido e vale a pena”!

O tempo a passar aqui,
por nós. E que passe!
De um ou outro modo
este estar por cá, bonito,
é o que nos retém.
Como tal... esteja-se bem.
E o tempo que passe.
Boa viagem!


______________________LuMe
Luis Melo (www.lumelo.com)

Luis Melo
Enviado por Luis Melo em 11/10/2005
Código do texto: T58682
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Sobre o autor
Luis Melo
Portugal, 59 anos
64 textos (2257 leituras)
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Luis Melo