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MONÓLOGO em Sintra

Há momento em que algo
suficientemente inconcreto
concegue aquietar-nos.
Ficamos entregues
à calmaria que antecede
as novas convulções.
Não tarda que aconteça
qualquer coisa
que até pode ser o mero...

__________...[ Monologo ](1)


Parece fácil!
Acha-se a Paz dentro de nós
que a ideia é estar-se bem
ainda que sozinhos,
mesmo num monólogo.
Começa-se por estabelecer
um cenário.
A esplanada vazia,
uma mesinha recatada,
toalha de chita aos quadrados,
brancos e vermelhos;
vista para o Castelo de Sintra,
por exemplo.

A noite por companhia (claro!)
e o fascínio das brumas
do alto daqueles montes.
Luzes difusas junto às muralhas;
Ai, aquelas histórias seculares;
É por lá que a mente deambula
entre fantasias e lendas antigas,
entre os dramas e as paixões
que nos escapam
e se evadirão por completo
da memória das gentes,
e, nos meandros do divagar,
entre o que se entende da vida
e o que se adivinha da morte.
Em suma e em fundamento
de quanto se abarca do amor.

Por um instante e por dentro
sinto-me boquiaberto
na estupefacção pelo que rejeito,
do que encubro, do que sou,
e em mim descubro.
Por muito que eu diga,
fica o silêncio e, nesse ponto,
faz-se cristalino o quanto intuo.

Uma aragem sopra sobre mim;
escuto a melodia da ribeira;
a lua descobre-se finalmente;
cheira aqui a pão quente.
Tudo assim, no gozo pleno
de reanimar, a um tempo,
o meu mundo de percepções
no torpor de um encantamento.

Vida!... não é?


______________________LuMe
Luis Melo (www.lumelo.com)
Luis Melo
Enviado por Luis Melo em 14/10/2005
Código do texto: T59503
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Sobre o autor
Luis Melo
Portugal, 59 anos
64 textos (2257 leituras)
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Luis Melo