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dessa vez quase perdemos

venho por meio desta
declarar que acabou a festa
e todos vocês que aqui ficaram
estão empelidos por força da lei
a muitos anos de trabalhos forçados

não vos adianta nem choro nem vela
nem tentar pular da janela
os portões já estão fechados à chave
nem tentem empurrar
pois haverá quem os faça calar

abandonem qualquer resistências: ó filhos vadios
ó bebedores de cachaça,
livrem-se dessa permanente manguaça que vos afligem
por favor não mintam porque mentira
nunca é aqui bem adimitida

caminhem em fila em ordem
tudo deve entrar
e os objetos aqui visto
por força do habito, vai saber,
talvez vos os queira furtar

não sejam ousados
porque essa ousadia que já não passava de uma mentira
essa, ficou do lado de lá
mas deixemos de explicações
porque isso muito nos farta
é só conversa barata...

3 condenados seguidos de 3 outros antigos forçados
sorrateiramente com facas, brilhantemente dissimuladas
em mangas de camisas
saltaram
e se fartaram do sangue que fizeram jorrar
os gritos de alegria se multiplicaram
aplacaram as grades de cada um e de todos
quebraram as portas e portões gradiados
sairam as ruas tingindo de sangue o céu azul
tingiram também o dia claro deixando-o esverdeado
e a cada passante um grito de aviso:
nunca estaria sozinho, e sempre seria sozinho
e lhe dava um livrinho
escritos em todas as suas 35 paginas a mesma frase: 35 paginas não valem nada.

daniel rodrigues
Enviado por daniel rodrigues em 19/10/2005
Código do texto: T61054
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Sobre o autor
daniel rodrigues
Londrina - Paraná - Brasil, 33 anos
61 textos (2261 leituras)
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