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VESTÍGIOS NA TELA BRANCA


Tela branca. Pura. Imaculada.
Insculpir  na tela. Traçar letras. Macular. Dizer de quê,  por cima do branco?
Do branco de paz, pureza, perfeição, limpeza, simplicidade,  inocência, singeleza.

Surge o cinza da cor da escrita. Do lápis. Da fonte de letras.
Meio termo. Nem branco nem preto. Mancha o branco da tela.

Nódoas de branco preto cinza. Revelam. Desvelam. Delatam. Denunciam. Declaram. Divulgam. Inventam. Registram. Fazem história.
Narram histórias. Contam. Romanceiam. Fingem. Simulam.

O preto. Ausência de luz. Luto.Gato quando preto. Azar, que não é branco, o branco dá sorte. Obscuridade. Junção de todas as cores. Ausência de luz.

Cores. Luz. Não luz. Não cor. Dor.
Em agosto. O verde das matas, o verde dos matos faz-se cinza.
Cinzento.  Poeira pura. Puro pó. Fuligem.

O ar não tem cor. Transportaria? Poeira. Fumaça.  Estrume de indústria. Estrume de queimada. Cinzeiros. Grafite. Cor de pedra de lápis. Cinzento. Cinzado. Acinzentado.

O sol pinta de amarelo. Laranja. Vermelho. Energia. Força. Potência.
Luz amarela douro. Ouro fogo. Ouro cobiça. Ouro do triunfo. Brilho.
Amarelo ovo. Girassol. Ipê de agosto. De meu gosto. Dá gosto em agosto.

Cores. Cores puras. Vermelho amarelo azul. Secundárias. Amarelo com azul dá verde.Vermelho com amarelo laranja. Azul com vermelho violeta.

Azul. Fria cor. Do mar e do céu. Céu azul tingido de vermelho em agosto.
Na  tela que era branca colori. Deixei vestígios.
Tintei  dores. Amores sim. Amores não.
Terezinha Pereira
Enviado por Terezinha Pereira em 24/08/2007
Código do texto: T621552
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Sobre a autora
Terezinha Pereira
Pará de Minas - Minas Gerais - Brasil, 68 anos
124 textos (55548 leituras)
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