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Poemas para serem lidos em tardes de chuva

I – Descrição do Lugar

Ao fundo, mas muito longe,
descansa o ar descorado;
parece envelhecer o ambiente
e tem sempre a morte ao seu lado.

De sítios inexistentes
saltam melodias invernais,
à vezes tidas por sussurros,
mas que são prantos de pardais.

Escuta, meu coração:
há muita coisa escrita
no grito que vem da terra,
no homem triste que medita;

pense que um dia, talvez,
no lugar de um rude ruído,
o homem não venha a ter
nada lhe tampando o ouvido.

II – Nuvem Escura

Meu canto gris se assemelha à água que cai do céu, porque também cobre de tristeza o chão de ervas. Não se assemelha à luz do pensamento, limpa como aquela que irrompe na alvorada, mas ao agonizante canto de um pássaro morto. É calmo como aquelas figuras femininas, tão distantes que somem de repente, que só parecem existir em sonhos.

Por mais que se procure, não se encontra luz.

Nas árvores há a afirmação da dor, espécie de compromisso firmado com Deus; é na dor que pode crescer o amor pela vida e a negação da sua importância.

O que há de pesado na saudade?
Felipe Novais
Enviado por Felipe Novais em 28/08/2007
Reeditado em 03/01/2009
Código do texto: T627513

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Sobre o autor
Felipe Novais
Sorocaba - São Paulo - Brasil, 31 anos
53 textos (6068 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 20/08/17 01:44)