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BATENDO À PORTA

Do vento aportam sinais e símbolos de um tempo esquecido.
Diria que:
Toc, toc, vento;
Deixe-me entrar no ar de teus sentimentos,
Revele-me o inefável momento de tocar o crucial ponto,
Recompor-me à maneira de estrelas saltadoras
Que do princípio Bang me tornou um Big
Momento.

Dos templos tortas esfinges fingem rir do decifrar devorado.
Diria que:
Toc, toc, templo;
Deixe-me enxergar os vários espíritos que se tornam mitos,
A náusea de deuses entredentes escorre e nos recobrem,
Revele-me anátemas, paradigmas, teoremas, fórmulas,
Que da essência das perdas achemos o pergaminho primeiro,
Pois que a morte que nos recebe não nos devolve por inteiro.

Do mundo que nos comporta temos o ouro e o nada.
Diria que:
Toc, toc, conhecimento;
A fuligem carnal que recobre o cristal a ser pendurado no teto do céu,
A mansa carruagem a transportar o tempo em vagarosa ampulheta,
O deus que nos aguarda como guarda de fronteira diplomática,
Flutuar entre cinzas de cemitérios marinhos em dorsos de águas-vivas,
Limpar-nos de vestígios de saberes infundados e neo-proféticos,
Erguer-nos à vista da eterna mirada que nunca nos deixou.
Batendo à porta, deixe-nos entrar, descansar, revelar,
Mutar, crescer, murchar, petrificar, selar, pactuar,
Morrer, resssuscitar.


 
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 31/08/2007
Reeditado em 31/08/2007
Código do texto: T632194

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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