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A Última Lágrima

A chama arde.
O coração bate.
A cera escorre.
A lágrima desce.
O calor morre,
E a vida carece.
A cera evapora.
O suspiro vai embora.
Outra alma padece,
E para o além ela corre.
O calor se expande,
Esquenta a face,
Molhada diante
Da mais dura perda.
E a vela se esvai.
A última lágrima cai.
Todos seus sentimentos,
Todos seus pensamentos,
Tudo se mistura,
Num momento de tortura
Que explode e perdura.
Os olhos reluzem.
Os gestos traduzem
Os segredos de um amor
Convertido em dor.
E o choro irrompe,
Gritos surdos de sofrimento.
E uma voz interrompe
A solidão do momento.
Um suspiro repentino,
Como se toda a vida se esvaísse.
Um sussurro inaudível,
Mas que revela para quem o ouvisse
O amor escondido,
Não correspondido.
E a dor se torna terrível,
Impossível.
E a última cera escorre,
E a última lágrima desce,
E o último sangue jorra,
E tudo que era vivo morre,
E tudo que era feliz entristece,
E todo o fogo vai embora,
E só há escuridão,
Afoga-se em sua própria solidão.
Fica apenas a memória
Da tortura e da decepção
Causadas por um amor mútuo,
Não correspondido
Por ambos os lados.
Viveu escondido
E morre enterrado
Na mais profunda escuridão.
Jannerson Xavier
Enviado por Jannerson Xavier em 02/09/2007
Código do texto: T635911

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Sobre o autor
Jannerson Xavier
São Paulo - São Paulo - Brasil, 28 anos
22 textos (1363 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/10/17 21:01)