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CANTIGA SEM FIM

Preparem as cartas, as garrafas,
as letras miúdas, as ondas,
os horizontes, as esperanças,
lançarei, como faz uma criança,
uma mensagem cheia de amor pleno,
devorada pelo instante sereno
onde a alma cabe se o amor
não for pequeno,
estarei inteiro a cantar minha alegria humana,
cantarei as curvas, as retas, as ruas planas,
os homens vestidos, os homens nus,
cantarei ao norte, cantarei ao sul,
aos que pedem e aos que dão,
cantarei a sede da faca e a angústia do pão,
soltarei a voz ao algoz que acha a morte sublime,
ao que, encharcado de dor e febre, rola no vime,
cantarei ao negro asfalto e ao mais denso mato,
a ti, que lê sem me ver, cantarei até aparecer
meu rosto como palavra salgada e sem gosto,
cantarei mais ao que leva notícias e ao que traz
estultícias encobertas sob o imenso capote,
cantarei ao cego que voa estrofes sibilinas,
ao menino com olho de fome que mira a menina,
sim, cantarei aos pulsos inquietos entre algemas,
aos que ficam nas portas de cinemas,
mais cantarei aos que habitam palácios esplendorosos,
aos pequenos olhos enviesados entre pântanos chorosos,
cantarei aos poetas sem pernas que correm léguas em suas almas,
aos irados, irascíveis, cupins roendo a própria calma, e,
por fim, o que restou cantarei a mim,
bardo bárbaro, voz sem fim.




Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 05/09/2007
Código do texto: T639903

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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