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MINHA ALMA EXISTE!

Saudades...
Saudades de tudo...

De um mar seco de vagas
De um céu nu de nuvens
De montanhas isentas de fragas
De praias esquecidas de espuma

De um luar sempre tão pálido
De uma manhã mais cinzenta
De um dia triste e tão cálido
E de uma presença desatenta

De um deserto onde se perder
De uma mata para pensar
De um jardim onde podem correr
As crianças dos outros que nada nos têm para dar

Das recordações perdidas na hora
Da noite fria mal dormida
Do vento que ruge lá fora
E da lareira onde a madeira agredida
Estala com lume ao libertar
A alma seca que voa
E cheira a pobre que parece chorar
A sua vida mesmo que não doa

A vida seca a arder
Com os olhos secos de tempo
Secos por esperar e não haver
Algo que se traga no vento
Da manhã nova que faz inveja
Porque é nova e nada deseja
Senão acabar cedo… numa certeza…

E nem praias nem céus nem desertos
Nos conseguirão manter despertos
Quando soubermos que não há viver
Porque o fim da vida tem que acontecer
E tantos não a esperam tão cedo

Não faz mal… Não tenhamos medo
De deixar de ver tudo o que é belo
Pois tudo isso não passa de um elo
Entre este viver e o que há-de vir

“Quem já não sente já não vê nada”
Mas eu verei tudo até ao fim
Pois sinto com a alma que me foi dada
Não quando nasci mas quando dei por mim.

Gilberto Cardoso
Enviado por Gilberto Cardoso em 05/09/2007
Código do texto: T640000

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Sobre o autor
Gilberto Cardoso
Portugal, 48 anos
91 textos (2874 leituras)
1 e-livros (54 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/10/17 21:27)
Gilberto Cardoso