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BOÊMIA

Bêbadas bacantes,
infelizes meretrizes,
mal amantes
- dionísios mal amadas
que, nas frias madrugadas,
andam tontas pelas ruas
exibindo as carnes nuas
na luta estafante e ingrata.

Faces brancas, bocas rubras,
são qual mariposas assustadas
atraídas pelas chamas
esvoaçando contentes.
No ardor que as impele
em direção ao clarão
quanta vez, imprevidentes,
queimam asas, vão ao chão.

Solidão nunca lhes falta
apesar da companhia.
Ela estira seus tentáculos
e comanda o espetáculo
na dura disputa bravia,
no embate corpo a corpo
que reúne macho e fêmea,
onde o amor virou blasfêmia
e a lei do desconforto
ecoa no quarto vazio
explodindo em gargalhadas.

Gargalhadas que são lágrimas
a rolar em fios grossos
pelas faces maceradas
do casal que ocupa o leito
e se une, contrafeito,
a chorar os sonhos mortos.





HLuna
Enviado por HLuna em 07/09/2007
Reeditado em 07/09/2007
Código do texto: T642316
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
HLuna
Fortaleza - Ceará - Brasil
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