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OUTONO

Apego-me ao lenho com força natural
Atração tênue, quase um afago
Sorvo eflúvios de pura seiva
Trago formas anchas voltadas pro sol

Tinjo-me de arrebóis nos ocasos
Tremeluzo refletindo pérolas d’água
Respiro, troca de fluidos, gases
Balouço ao mais leve impelir de um sopro

Tenho a cor viva, anima verde
Viço e frescor transbordam ao olhar
Troco co’a a luz o gás e o mel
Vigor vital, doce intenso câmbio

Trinta sóis se passaram
Inclina-se o planeta em seu eixo
Já sopram os alíseos de nordeste
Minhas cores esmaecem-se lentas

Já não me fixo com tanto ímpeto
Pigmentos dourados salpicam-me as vestes
Aos poucos me transmuto e cedo
Assumo as cores áureas da aurora boreal

Inflam-se as velas, dobram-se os ramos
Arrebatador é o gélido bafejo de Éolo
Faltam-me forças, decrepitude outonal
Desprendo-me, alço vôo e suavemente caio
Assento-me num ocre lençol
GIBAWRITER
Enviado por GIBAWRITER em 07/09/2007
Código do texto: T642970
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
GIBAWRITER
Osasco - São Paulo - Brasil
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