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LUZES!!! CÂMERAS!!! AÇÃO!!!

Tomada 1:
Ligue o ar condicionado. À todo vapor. Quero muito frio aqui.
As focas à esquerda, os pinguins no meio, as rãs à direita.
Muito gelo na banheira. A atriz mergulha e fica submersa. 5 segundos.
Sai, respira fundo, se enxuga. Senta na cadeira para ler. Se recosta. Termina a cena.
. . .
Tomada 2:
Ligue o freezer. Quero muita cerveja gelada, vodca, salame.
A banqueta com a tábua de frios deve ficar no centro.
O ator chega só de sunga, belisca o salame, abre o freezer,
pega uma cerveja, abre, bebe no bico, coloca a garrafa
na mesa de centro, arrota, sai de cena.
. . .
Tomada 3:
Ligue o aspirador de pó. Quero muito barulho na hora do tiro.
Entra a atriz pela porta lateral. Enfia a mão no bolso do casaco.
Caminha na ponta dos pés. Olha ao redor. Vem encostada na parede.
Vê a outra atriz lendo. Se aproxima. Chega a uma distância de cinco metros. O contra-regra solta o tigre. A atriz de pé espera. O tigre ruge. A atriz que está lendo se assusta e grita. A atriz de pé atira
no meio da testa do tigre. Ele cai morto. Ela suspira. Olha para a atriz
que lê. A atriz que lê sorri agradecida. Fim da cena.
. . .
Tomada 4:
Ligue o abajur. Fechem as cortinas. A atriz que lê permanece na mesma posição da cena anterior. A atriz que está de pé descansa o revolver junto ao corpo. Ar de desalento. Entra o ator. Cerveja na mão. Ar de incredulidade. Grita e gesticula.
- O que vocês fizeram?!?!? Mataram o meu tigre?!? Como é que eu vou ganhar a vida agora? Meu único animal treinado!!!
Caminha em direção à atriz de pé. Mãos estendidas como se fosse estrangulá-la. A atriz que lê apanha uma arma debaixo do livro.
Atira duas vezes. Acerta o peito e ombro do ator. Ele cambaleia
e cai. Ainda arfa quando a atriz que está de pé vai até perto dele e sussurra: 'Animal!'. a atriz que estava deitada se levanta, põe um braço sobre os ombros da atriz que está de pé, vira a atriz e a beija.
A atriz que está de pé enlaça a atriz que estava deitada, saem abraçadas, o tigre se levanta, ruge e chacoalha-se, sai pela porta lateral, as duas atrizes saem conversando baixo, a luz diminui de intensidade. O ator, morto de verdade, permanece lá, deitado, entra dois ajudantes, carregam-no para fora do palco, a luz se apaga, fim de cena e de espetáculo.
Moral da história:
"Mais vale um animal vivo, que se comporta como gente, do que um homem vivo, que se comporta como animal."




Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 11/09/2007
Reeditado em 11/09/2007
Código do texto: T647804

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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