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IMAGENS DO SERTÃO

Na alvorada singela e brilhante,
Por detrás da serra fumegante
Se avista ao longe um clarão:
É o sol ardente e causticante
Que vem voraz e triunfante
Castigar o meu sertão.

Nas vergas secas da guabiraba
O vento sopra e desaba
As folhas mortas no chão.
Enquanto a andorinha forasteira
Passa voando ligeira
Trazendo consigo o verão.

Na estrada vai se perdendo
Um carro de boi gemendo
Em busca da água que acabou;
Tão logo volta tristonho
Parecendo mais um sonho,
Pois o ribeirão secou!

Nas alcovas despidas e sórdidas
Das cabanas humildes e mórbidas
Corpos esqueléticos esperam sedentos;
Porém, o líquido não vem
E o sertão vive também
Em martírios e sofrimentos.

Nas entranhas das caatingas feridas
Repletas de corpos sem vidas
Estendidos sobre as pedras longas;
E nos galhos da jurema ofegante
Um ruído melancólico e penetrante:
Um triste cantar de arapongas.

No estreito caminho de areia
O jumento sedento cambaleia
Enquanto desfalece o dia;
E na hora sublime exalta
Sobre a montanha mais alta
Um silêncio... Ave Maria!
Carlos Melgaço
Enviado por Carlos Melgaço em 16/09/2007
Código do texto: T655079

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Sobre o autor
Carlos Melgaço
Vitória da Conquista - Bahia - Brasil, 59 anos
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Carlos Melgaço