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OLHAR e não ver ...

[ Olhar ] 3

Pacificamente e sem espanto
sinto desvanecer o tempo
num fuminho pardo,
num desprendimento
que se faz desmaio.
Entre os meus dedos,
para lá dos lábios, para lá
do que os meus olhos bebem,
ainda que sem ver,
para lá do que se sente na alma,
mal-grado os vazios
procedentes sabe-se lá donde.

E o saco lacrimal cheio,
porque vai chover;
... que depois da apatia
venha a bonança
com chuvas e vendavais.
Daí o tempo aceso
aqui, ao fundo do cais
do meu cigarro e, aqui,
a atirar-se-me à cara
o fuminho parvo
dos meus temores.

Tudo isto, certíssimo,
no processo exemplar
de um pretexto de chuva.
Porque vai chover, sim !
Com toda a certeza !
E o cigarro apaga-se
com uma lágrima azedada
de olhar... e não ver!


_______________________LuMe
Luis Melo [ www.lumelo.com ]
Luis Melo
Enviado por Luis Melo em 31/10/2005
Código do texto: T65680
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Sobre o autor
Luis Melo
Portugal, 59 anos
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Luis Melo