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O pesadelo, de acordar (2007)

Eu estava adormecido, dormi dentro de mim mesmo. Me afoguei nas magoas e
ressentimentos da minha historia, ao eclipsar as minhas vontades  com
minhas próprias vontades.
Pois eu acordei, vi o sol, vi o céu, vi as formas nas nuvens se formarem
devagar.
Então o sol perdeu o brilho, o céu escureceu, as formas nas nuvens falavam
comigo. Pediam pra eu enxergar por de trás do sol. Mas o sol se escondeu e
não pude mais vê-lo.
  Depois me vi cercado por vários "EUS" que me diziam que eu devia deixar
de ser eu, Que deveria esquecer as regras, as leis, e tudo o que ambas
me proporcionam.
Quando eu não me obedecia, em favor das velhas vontades, entramos em luta
corporal, me vi numa guerra de "EUS"; eu honesto contra eu corrupto, eu
tímido contra eu devasso, eu tudo contra eu nada. Todos brigavam entre si
e eu assistia a tudo.
Mais eu não sabia pra qual eu torcer. E cada vez que tinha eu vantagem
contra eu, eu intervinha em favor de mim.
O equilíbrio era a minha satisfação nessa guerra.
O sol que havia se escondido, reapareceu e iluminava as minhas caras,
então pude ver cada vez mais eu. E cada um que eu via me conhecia menos
naqueles rostos. Logo minhas forcas se esgotaram.
Me senti cansado de mim. Mandei que todos presentes se aquietassem. Tentei
propor um acordo, mais cada um defendia apenas as suas vontades. As nuvens
continuavam a dizes para enxergar alem, mas eu já não dava atenção ao que as
nuvens diziam, pois tinha uma discussão comigo mesmo que me ocupava por
inteiro.
Tudo isso se estendeu pelo dia inteiro, a luta corporal recomeçava e
acabava o tempo todo, tentei todas as formas de acordo entre eles. Mas
eles não me escutavam, e a partir desse momento
............................o momento em que os chamei de "ELES", eles já
não eram "EU" então já não havia mais guerra.
Todos eles desapareceram, e me vi num deserto, sem sol, nem nuvens. O "EU"
ainda estava lá, mais não dizia nada.
Então me vi sozinho podendo tomar minhas próprias decisões, esperando
poder contar com alguém, além de mim. Depois de tudo isso, me pus a
dormir.



Alessandro Longo
Enviado por Alessandro Longo em 18/09/2007
Reeditado em 22/09/2010
Código do texto: T657850
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Alessandro Longo
São Paulo - São Paulo - Brasil, 33 anos
74 textos (3867 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/10/17 19:27)
Alessandro Longo