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TAO

O Tao,
Figurão que desenhou as bordas do mapa celeste,
Esqueceu que toda margem possui o que lhe confere
O outro lado de lá, ou seja, o ainda a desenhar,
Do mesmo modo que o dentro do cajá
É o fora a espelhar o que lhe dentro há.

O Tao,
Conquista silenciosa das feras medrosas,
Ensina que toda piscina só existe
Porque as bordas insistem em represar,
Do mesmo modo que o homem só se contém
Pelas bordas dos pensamentos que lhe convém.

O Tao,
O disparador de silêncios em tempos de chuva,
Já disse que a uva é a semente de suas curvas,
Como a raposa é a esposa do seu próprio rabo,
E que a terra encerra em todo nabo
A consciência de sua ciência mais profunda,
Se queres comer a terra, coma o que lhe abunda.

O Tao, esse revelador de espíritos em tempos aflitos,
Diz que a memória é a história do que não aconteceu
Pois se o tempo tivesse guardado seus resquícios
Onde há o salto haveria apenas o precipício,
Onde brota a lembrança haveria apenas a criança
De um corpo nunca criado e onde reina a dança
De fatos coletivos haveria o primevo útero vivo
A gerar eternamente a primeira e única mente.
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 25/09/2007
Código do texto: T667544

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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