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Travessia

Acabei voltando, cansada que estava de fugir e mesmo assim permanecer nas adjacências. Eu hoje acabei voltando. Mas, ao invés de trazer bagagem cheia, eu a trouxe vazia. E o que é pior: sem algum fundo para guardar nada. Uma travessia sem ponte, sem nado. Só a força do passo e a água. De tanta água, acabei chorando. E foi um pranto que nunca secou, tão inundada estava.
E de tanta travessia, acabei me perdendo. Fiquei perdida no choro, me afoguei no passo, caí em qualquer lugar-comum. Se me olho, me vejo suja de luxo e carregada sob o peso de grandes futilidades. Então, quando cheguei, não portava comigo nada além da consciência e do coração. Ao longo do caminho, as futilidades tornaram-se tão leves que voaram. Minhas pernas cobraram leveza do corpo e da alma, mas a necessidade de busca me impediu de parar. Cansada que estava de buscar, acabei fugindo.
Marilda Mendes
Enviado por Marilda Mendes em 25/09/2007
Reeditado em 09/10/2010
Código do texto: T668550
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Marilda Mendes
Divinópolis - Minas Gerais - Brasil, 37 anos
15 textos (651 leituras)
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Marilda Mendes