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Olha para mim, amor! [OLHAR 5]

                [ OLHAR ] 5


Olha para mim, amor!
Furtivamente, observa-me
a atirar com rimas
meio à toa,
como seixos achatados
a tracejar a seda aguada
da melancolia.

Parece uma brincadeira,
um artifício inocente
que me diverte.
Irremediavelmente, este gesto
faz-se poema e refugia-se
num refego da memória
junto a algum verso exausto
de refluir ao vento.

Gota a gota
a palavra desprende-se,
arremete e arvora-se
em fantasia de espuma
em sonho manso
coroado de maresia.

Olha amor e sente
a emoção que denuncia
o viço e o verso
na folha percorrida
por esta escrita
e a coloração do odor,
a melodia de um paladar
tudo quimera de príncipe
rarefeito em nostalgia
como numa lufada de ar.

Engendro uma analogia
entre uma brisa pelo teu rosto
e o fresco e brando suspiro
de uma réstia de inverno
celebrada num chilrear
entre os nossos dedos.
Vem do namoro afincado
de um casal de árvores
que fez ninho, incrivelmente,
no centro do nosso abraço.

Sei que te aflige
o meu olhar salobro
mas não são lágrimas, amor
é a alegria dos pássaros
que dançam nos meus olhos.
É um céu feliz para nós os dois
a bailar, tresloucados;
a tudo e nada indiferentes.
Ai! e estas mãos dadas,
insones-insanas sobreviventes
à exaustão das esperas
ao negrume findo de um tempo
porventura perdido
emaranhado na perversidade
da teia de todas as mágoas.

Entretanto, desculpa
estes meus dedos frios.
É verdade, estão mesmo!
Nem consegui enrolar o cigarro.
Enfim, paciência!
Mas olha para mim, amor!,
e dá-me um beijo!


______________________LuMe
Luis Melo [www.lumelo.com]
Luis Melo
Enviado por Luis Melo em 03/11/2005
Código do texto: T66914
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Sobre o autor
Luis Melo
Portugal, 59 anos
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Luis Melo