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Gesto da Solidão

Um dia ele bateu na minha porta
E sem que eu percebesse entrou no meu coração
Assim quieto, calado, me olhando de soslaio
Fez morada do que seria invasão
Um dia me faz rir, no outro chora comigo
Uma noite me vigia, na outra me toma a mão
E sem que eu percebesse se tornou meu amigo
Assim de infância, adolescência, meio irmão
Fez incesto num gesto da solidão

Um dia ele abriu minha porta
E sem que eu percebesse entrou na minha vida
Assim tranqüilo, num sorriso que conforta
Fez certeza do que seria indecisão
Um dia me faz sorrir, no outro se cala comigo
Uma noite deita ao meu lado, na outra me beija a mão
E sem que eu percebesse se tornou mais que um amigo
Assim de sempre, da vida toda, imensidão
Fez alento num gesto da solidão

Um dia eu abri a minha porta
E sem que ele percebesse lhe entreguei meu coração
Assim bem devagar, pouco a pouco transbordando
Fiz amor do que seria ilusão
Um dia lhe trago a noite, no outro acalanto
Uma noite busco as estrelas, na outra seco meu pranto
E sem que ele percebesse se tornou mais que paixão
Assim de fogo e água, terra e mar, sedução
E fiz poesia num gesto da solidão
Cristina Nunes
Enviado por Cristina Nunes em 04/11/2005
Código do texto: T67416

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Sobre a autora
Cristina Nunes
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 59 anos
421 textos (32644 leituras)
9 áudios (1002 audições)
2 e-livros (97 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 19:52)
Cristina Nunes