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Vem a ânsia de mergulhar deserta e nua,
No mar de devaneios e tendências,
Não obstante o pudor e a inocência,
O cão fareja sua fêmea na rua.

O cais não é seguro, não é porto,
É um refúgio momentâneo da poeta,
Que introduz a língua sedenta pela boca aberta,
Como as ondas do mar lambendo o peixe morto.

A água salgada e morna que transtorna as sereias,
Faz eriçarem-se os peitos rijos de desejo,
E a poeta, induzida como aranhas pelas próprias teias,
Tece a trama de aliar o furor, a loucura e o pejo.

Lá vem a fêmea babando a volúpia do instinto,
Num ímpeto da espécie, alucinada e tesa,
Resvalando sobre rimas e versos de labirinto,
Clamando pelo amado, a julgá-la presa.

Cheiros, entorpecentes da razão, inebriantes,
Tornam o momento de impaciente magia,
Onde faz-se necessário acasalar amantes
E gerar, dentro do útero, o grão da poesia.


Lílian Maial
Rio, 07/03/01.
 
Lílian Maial
Enviado por Lílian Maial em 06/11/2005
Código do texto: T67977

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Sobre a autora
Lílian Maial
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Lílian Maial

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