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O Menino das Estrelas

Deixem que eu pereça vagarosamente
Não tentem me acordar ou me encomendar
Com rezas e benditos
Deixem que eu siga e vá suavemente
Em névoa ou cavalgada de proscrito

Se puderem, antes da última palavra
Levem-me para um lugar de arvores e rios
Onde eu possa em encontrando a natureza
Saber que estou em comunhão com Deus
E com uns poucos que me amam intensamente
E que em verdade, em verdade
Sei, são verdadeiramente meus

E se a noite vier mansamente
Acomodem suavemente minha cabeça
Sobre um colchão em retalho de folhas secas
E segurem com força minhas mãos
E deixem que em poesia eu me perca

Vivo cada momento intensamente
Sem que minha alegria seja o sofrimento do irmão
Ando à direita, pela contramão, à deriva
E vou-me; coisa verde, leve e viva
Em flores, chispas e espinhos
Pela doçura e aspereza dos caminhos

Se não fosse um homem
Seria um caramujo
Em razão do meu modo retraído
Mas sei que a distância que mantenho
É a distância que me aguça os sentidos

Sei que ainda não é hora de partida
A missão ainda não está completa
                        E eu,
Sou apenas um homem
Que teima em dizer coisas de menino
E enquanto não olhar as estrelas
E sentir que é hora de voltar pra casa,
Vou indo...vou indo.
Raimundo Nonato
Enviado por Raimundo Nonato em 04/10/2007
Código do texto: T680486

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Sobre o autor
Raimundo Nonato
Teresina - Piauí - Brasil
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