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Ausência de mim


Ausente dos homens e das dores
vagueio pela extensão
de um túnel negro do tempo.

Não sou
nem estou
não quero estar
nem quero ser
quero apenas viver!

E com isso, num estado de silenciado pranto
no âmago mais profundo, esquálida
minha vida emerge lívida.
Desejo reles e permanente
de querer ser gente!

Na raiva, aglomero impulsos
levanto enormes muros
mordo a língua, cerro os dentes
asfixio a palavra
no turbilhão ciclíco da saliva.

Ausente dos homens e das flores
rebusco um gesto brando
um sentido pressentido
ouso elevar um braço
iço-me etérea no oco do espaço

Dependuro-me feito equilibrista, acrobata
no vértice do som mais estridente
nas estrelas mais brilhantes
com a boca faço-as mudas
silenciadas, abocanhadas

Ausente dos homens e das cores
apenas o vermelho
pinta as maçãs do meu rosto
pela fúria que restou do ontem
e das flores e dos frutos
esqueci há muito tempo
seus recortes, texturas e sabores...
Francis Faria
Enviado por Francis Faria em 07/10/2007
Código do texto: T684927
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Sobre a autora
Francis Faria
Jandaia do Sul - Paraná - Brasil, 46 anos
637 textos (28095 leituras)
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Francis Faria