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Portas Fechadas

Não há mais portas abertas,
você entra e a porta bate.

Não abre.
Mesmo que esperneie,
que grite, bata o pé,
tente de lado,
de costas, de frente,
de nada mais adianta.

A tal hora chegou.
A hora da solidão.
Mesmo que se transforme
numa Pátria chinesa,
num castiçal de prata,
a porta não abre mais.

E pode levar pimentão,
temperos ou até
bolinho de arroz,
não abre mais.
É como cutucar
um boi bravo
e sedento de sangue
com vara curta.

O cordão se rompe
e a bruma, o breu, está feito.
Não tem primeira comunhão
que resolva.

A porta não abre mais.
É como num jogo de xadrez.
Se morreu, morreu.
Não tem nem rei, nem príncipe,
nem rainha, nem fada, boneca,
ouro, nem guerreiro ou peão
que faça viver o que foi morto.

Não adianta.
A porta não abre mais.
É de cedro,
tem até cheiro de jasmim,
gosto de maçã e pêssegos.

Resta deitar na cama,
sofrendo o pranto da saudade,
esperando a hora das sete,
hora da morte passar,
adornada de flores,
entre fachos de luzes,
para alçar para o lago eterno
a mulher que um dia
seu coração ao homem-sol
entregou...
Maria
Enviado por Maria em 12/10/2007
Código do texto: T690816
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Sobre a autora
Maria
Blumenau - Santa Catarina - Brasil
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Maria

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