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Palavras, não diga. Pense!

Ocorreu-me que ficaria em paz
Nem que fosse por uma única e solitária hora
Mas com uma bainha cheia de palavras
Você arrancou todo indício de tranqüilidade que me circulava

Simples palavras, frases, ditas e escritas
Rasgaram meu peito e entraram sem pedir licença
Escalaram ao pico de meu subconsciente e lá fizeram abrigo
Não há mais memória marcante ou um resquício de qualquer crença

Explica-me, por que as dizes, escreve-as, canta-as?
Agora que os nós estavam sendo desatados, ou era só alucinação?
Veio esta ventania arrastando tudo que estava pelo meu pobre caminho construído as custas
Acordo com a face virada ao chão, vejo não deixaram nada pra mim

Palavras, de línguas afiadas
Empunhadas, desafiando o céu, só esperando uma ordem
Inimigos absorvem golpes de misericórdia estáticos sem chance de revidar
Enquanto as mascaras da linha de frente caem ocas e na lama encontram seu lugar

Olhei fundo nos seus olhos cansados
Vi essas sentenças guardadas com tanto empenho
Notei que o mundo já não era o mesmo, que eu não era o mesmo
Pois meus músculos já estavam cansados demais para tentar
E raras foram as vezes que elas vieram a me faltar

Dei dois passos adiante
Sem esquecer um instante
Seu destino está tão longe
Mas palavras enrijecem esse ardor no meu peito duro como diamante

Depois de tantos anos, nossos caminhos teimaram em se cruzar
Eu senti todas as vibrações no ar, e todas as conspirações divinas que me trouxeram até aqui
Na hora de tal lendário encontro, minha alma tremeu, e você não soube o que dizer
Mas descobri que ainda consigo ler o somatório das palavras envergonhadas que se escondem no seu olhar.

Autor: Saulo Aguiar Florentino Matos
Saulo Matos
Enviado por Saulo Matos em 14/10/2007
Reeditado em 14/10/2007
Código do texto: T694381

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Sobre o autor
Saulo Matos
Itaboraí - Rio de Janeiro - Brasil
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Saulo Matos