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PENDE DO TETO UMA LÂMPADA

pende do teto uma lâmpada
coloca em meu mundo o amarelo opaco
de quarenta e cinco watts

um portão de ferro separa dois mundos
pedras eternamente cinzentas
passivas pedras

por que não deixam as portas escancaradas
e a madrugada invadir os corredores

mais tarde virão os bêbedos
machucando na boca devassa
uma canção de Vicente Celestino
_a lua prateada não despertará as suas amadas_

minha rua é um cemitério
o gordo estrábico
a fofoqueira
o dono da bodega
a mulher e a filha
a menina magricela morreu ontem
a vitalina moralista abre a porta
quem diria
entra o motorista
o guarda-noturno puxa o gancho das portas onduladas
faz o giro vagarosamente
pesadamente
parece um assassino disfarçado
pobre homem
o clarão da luminária de mercúrio
cria uma atmosfera de neblina
besouros quebram as asas nas paredes
há borboletas no limo dos telhados
no coletivo vazio
escorrega o cobrador num cochilo
moedas quebram a quietude
uma jovem de rosto cansado desce para o cais

                                               Década de 60
TÂNIAMENESES
Enviado por TÂNIAMENESES em 15/10/2007
Código do texto: T695036
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
TÂNIAMENESES
Aracaju - Sergipe - Brasil, 69 anos
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