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AO QUE NASCE

Venha, ainda tem o ar puro que rodeia as montanhas,
lôbos em florestas que se encolhem, neve que se derrete,
pães cheirosos em cabanas à beira de lagos ainda úmidos.

Venha, crianças ainda brincam de pega-pega, esconde-esconde
como os espiões de super-potências, patos nadam à vontade  nos parques das grandes cidades, senhores bem aposentados folheiam jornais e riem dos patinadores que caem nas pistas.

Venha, venha pela porta da frente, entre como um homem
que pertence ao mundo, vista-se das criações que todos fazem em nome da boa ciência, fale alto os nomes daqueles que foram ceifados em estações de caça, ria às nuas verdades que caminham pelas ruas disfarçadas de acontecer.

Venha, mesmo que tenha que ouvir o barulho das moto-serras, o ganir de cães que procuram ossos enterrados em lixões, o festival de balas perdidas que procuram alvos à qualquer instante.

Venha, venha para cantar com aqueles que ousam revelar a farsa dos homens de negócios, para andar de braços dados com aqueles que tentam proteger tudo o que está em extinção, principalmente a alma humana, aquela que criou impérios e multiplicou sentidos.

Venha, se conecte à todos que pensam a respiração como um ato físico, à todos que se movem em torno de árvores tombadas, à todos que sabem que a loucura é progressiva, que o descaso é o pior dos males e onde houver um governo haverá corruptos, onde houver mãos que roubam haverá que faltar àquele que luta por seu pão.

Venha, se separe de todo o mito, dê o seu grito, pule o muro alto das convenções, seja simplesmente o homem que reinará neste mundo com a consciência que à tantos falta e que à poucos sobra.

Venha mas não espere o sol que bronzeou o planeta em outra eras,
hoje ele não disfarças seu hálito, espere apenas que certas previsões pressentidas não se confirmem.

Seja bem-vindo.
Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 17/10/2007
Código do texto: T697837

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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