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Oh meu Deus!...
O meu coração ficou apertado.
Vi-me admirado,
Deu-me vontade de chorar.
Não era nem domingo,
Não era nem feriado.
Matando a fome assentado
Numa cantina do Sul...
Diante de mim tu te expusesses.
Não te reconheci,
Juro não te reconheci...
Tu ali diante de mim, com olhos em lágrimas
Maltrapilho, mal cheiroso e mal comportado,
Com cara de arrestado comendo a fome.
Pediste para mim e fingi que não ouvi
Tornastes a me pedir e fiz que não vi
Tu me pediste e fingi que não estava ali.
Quando te fostes, aliviado me levantei e sai.
A noite, sem conseguir dormir, ao pé da cama me ajoelhei e orando pedi a ti
Pelos mendigos, quando em oportunidade de ajuda, eu te trai.
Mesmo assim, vieste em meu pensamento naquele
Exato momento me ouvir, sem zombar de mim.
Sentindo a tua presença, me vi isolado num País, onde a hipocresia e a desigualdade
Chamam a liberdade de vontade, a Constituição de ilusão e a realidade do nosso povo,
Miséria e escravidão.
Alberto Amoêdo
Enviado por Alberto Amoêdo em 17/10/2007
Reeditado em 09/01/2008
Código do texto: T698330
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Alberto Amoêdo
Macapá - Amapá - Brasil, 51 anos
1344 textos (19086 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/10/17 01:42)
Alberto Amoêdo