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Foi-se o Tempo

Ai que saudade do acorde
Festeiro da rede, que embala, pra lá e pra cá
Acompanhando o soneto das gotas de chuva sobre o telhado de barro.

Ai que saudade da avó cantarolando músicas para ninar,
Ai que saudade da brisa do rio Guajará,
Que vinha pelas janelas sem grades na vila da barca.

Ai que saudade do candeeiro,
Da sombra da mangueira, dos periquitos fazendo algazarras, do baile dos açaizeiros e do samba do tajá.

Ai que saudade que dá...

Ai que saudade da prosa na varanda,
Do compadre e da comadre de fogueiras, dos padrinhos, dos amigos e da criança brincando no quintal.

Ai que saudade de lata...
Hoje tudo é concreto
Tudo é incerto,
Muito indiscreto...
São homens e mulheres perdendo a visão,
Entrando em depressão,
Escolhendo viver a solidão, porque é moda ser vulgar, ser o sexo da cabeça.

Tudo é tão desigual,
Tudo é tão surreal
Tudo é tão medíocre...
Tudo é tão irregular, que cada um faz a própria regra
Matar, morrer já não interessa.

Nessa casa,
Nós comemos o medo...
Não temos segurança,
As nossas esperanças, deixamos com a luz do quarto apagar.
Não sabemos para onde ir,
Porque, em nossa falta de cultura, aprendemos que não somos responsáveis pelo que há de vir.

Todos os dias julgamos,
Mas não temos tempo para ver o rio passar.
Os pássaros, que ainda festejam o dia, são os últimos de uma geração romântica.
Deixamos que a nossa vida mal resolvida ameaçasse o planeta.
Não se venera mais a lua, não se desenha um sorriso, não se procura uma flor para dar, sobre tudo, se espera para jantar com o pai e a mãe, que vem cansados da labuta.

Com ações continuamos dizendo aos pequenos,
Que não temos tempo para associar,
Que na sociedade quem tem dinheiro é  senhor da rua,
Que não há lei nesse lugar,
Que não temos tempo para amar.
Só que a  vida, para todos é passageira,
Embora há quem creia, que no amanhã aqui vai  estar.

Á água está se esgotando,
O céu está escurecendo,
Os rios estão secando,
A terra  está esquentando
E nós não somos capazes de cuidar do que somos responsáveis.

Aliás, na história, muitos já tiveram a sua chance,
Mas se perderam pela cobiça, pela mesma usura...
E pela ganância de querer ser quem nunca seremos.

É verdade que não pedimos a herança.
Cuidar é o preço da existência,
Cuidar é fomentar a crença num futuro
E amar é o único caminho para se educar os filhos e eternizar uma sociedade justa.


Alberto Amoêdo
Enviado por Alberto Amoêdo em 18/10/2007
Código do texto: T699283
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Sobre o autor
Alberto Amoêdo
Macapá - Amapá - Brasil, 51 anos
1331 textos (18763 leituras)
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Alberto Amoêdo