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UM CANTO PARA MATEAR SOLITO




Quando o sol vai despacito
me quedo mateando quieto
no velho ritual campeiro
que faz ausentes de afeto
buscar refúgio no amargo,
vida verde, vida em pó
rico ancestral lenitivo
parceiro dos que andam só.


A lua vem debruçar-se
no portal da solidão
em tênues raios de prata
clareando o velho galpão,
fresteando as paredes velhas   .
chegam as vozes da noite
que a meus ouvidos cansados
trazem sibilos de açoite.

A cuia passeia inquieta
como se ave noturna
que risca olhos punhais
na ampla noite soturna, .
só o chispar das labaredas
aos grilos em contracanto
compõe mais uma milonga
pra um mundo de desencantos.

O mate desce queimando
na garganta ressequida
parece que nessa noite
em caá-yari dá guarida
a quem cansou do caminho
e de partir sem chegar
fez da vida uma tapera
na velha sina de  andar.


Uma saudade importuna
amarga mais esse mate
descompassa tanto o peito
que o coração pouco bate
aquerenciou-se esta louca
sem ter  convite pra vir
que ate nem sei  se e bom ter
saudade ou não pra sentir.

Uma inquietude interior
que faz a noite silente
o sonho muito distante
como s e estrela cadente,
me gusta o mate solito
nesse esperar não sei que;
-Saber de andar o sentido,
talvez,da vida o porque....... ,

moises silveira de menezes
Enviado por moises silveira de menezes em 11/11/2005
Código do texto: T70114
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Sobre o autor
moises silveira de menezes
São Pedro do Sul - Rio Grande do Sul - Brasil, 62 anos
37 textos (10055 leituras)
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moises silveira de menezes